Bamboo de rápido crescimento como um recurso promissor

Porque é que o bamboo gigante é um recurso tão promissor

Por Pablo can der Lugt, director do dept de sustentabilidade na MOSO


Isso acontece na família

Do ponto de vista botânico, o bamboo pertence às gramíneas, não sendo portanto uma árvore. O bamboo é um nome coletivo para um grupo de espécies botânicas. Embora a taxonomia completa ainda esteja a evoluir, as estimativas actuais são de que existem cerca de 1.500 variedades diferentes. Existem diferenças consideráveis em tamanho, cor, distribuição e configuração dos nós, propriedades mecânicas e preferências climáticas.

Algumas espécies gigantes atingem até 30 m com secções transversais até 30 cm por tronco, enquanto algumas espécies não atingem mais de 1 m de altura e 1 cm de diâmetro. Dependendo das circunstâncias climáticas, também pode haver muita variação no tamanho e na qualidade dos troncos da mesma espécie. Os troncos são maiores em climas férteis e húmidos e menores em climas secos e arenosos.

Fundamentalmente diferente das árvores

Em geral, o bamboo é oco (embora existam algumas espécies sólidas), com secções separadas em distâncias irregulares formadas por diafragmas transversais na cavidade do caule. Estes diafragmas são visíveis na parede do caule como protuberâncias em forma de anel e é também onde os ramos com as folhas brotam, geralmente dos nós superiores.

As plantas têm um sistema radicular que consiste em partes subterrâneas chamadas rizomas, das quais os caules crescem acima do solo. Os rizomas ancoram a planta no solo e fornecem comida e água para produzir novos rizomas. Um único organismo, portanto, tem múltiplos caules. A extensa rede de rizomas também ajuda a manter o solo e a restaurar os lençóis freáticos, tornando o bamboo muito adequado para o reflorestamento em terrenos pobres.

Ao contrário de um tronco de uma árvore, o tronco de bamboo não cresce em espessura. A espessura da brotação determina a espessura do tronco maduro, pois o crescimento celular ocorre apenas na direção longitudinal. As várias secções de um tronco maduro já estão presentes desde o início e se estendem umas das outras como os tubos de um telescópio deslizante.

Cresce bamboo, cresce!

Uma das características mais interessantes do bamboo gigante é a sua velocidade de crescimento insuperável. Durante a estação de crescimento, os caules irão brotar do solo e atingir o comprimento final até 30 m de altura dentro de alguns meses, com uma velocidade de crescimento máxima registrada de até 1 metro por dia. Na verdade, ele detém o Recorde Mundial do Guinness da planta que mais cresce:

Bamboo detém o Recorde Mundial do Guiness para a planta com o crescimento mais rápido
http://www.guinnessworldrecords.com/world-records/fastest-growing-plant/

A lignificação (endurecimento do caule) ocorre dentro de 2 a 3 anos, enquanto a maturidade é atingida após aproximadamente 5 anos, que é o momento em que o tronco está pronto para a colheita e para uso em produtos duráveis na indústria da construção. Devido ao seu rápido crescimento, a planta absorve uma grande quantidade de CO2 da atmosfera, fornecendo oxigênio em troca, que fica bloqueado por muito tempo não apenas na plantação, mas também no alto número de materiais semi-acabados produzidos a partir do bambu colhido. (rendimento anual, veja também o capítulo 4 em Booming Bamboo).

Distribuição Mundial

Apesar da percepção comum que o bamboo apenas cresce na Asia, a sua área de crescimento está actualmente distribuída por todo o globo. As espécies gigantes, que são as que têm maior potencial para serem industrializadas e desenvolvidas económicamente, derivam principalmente das áreas (sub) tropicais, geralmente em países em desenvolvimento e economias emergentes.

A China (7m he) e a India (9m he) têm as maiores áreas de floresta de bamboo, totalizando mais de metade dos 32 milhões de hectares disponíveis em todo o mundo. Nos países ocidentais, o bamboo é maioritariamente usado como uma planta de jardim ou para paisagismo.

A espécie mais conhecida do bamboo gigante é provavelmente a Phyllostachus Pubescens (até 15-20mts de comprimento e 10-12 cm de diâmetro), proveniente da China, onde é chamada “moso bamboo”. É a espinha dorsal da industria de bamboo chinesa. Outra conhecida espécie do bamboo gigante é a Guadua Angustifolia e a Dendrocalamus Asper, que crescem ambas en regiões tropicais, ambas conhecidas pela sua enorme dimensão (até 25mts de comprimento e 22 cm’s de diametro), e com boas propriedades estruturais. A espécie Guadua é conhecida em particular pela sua resistência.

Comercio justo garantido para o agricultor

Uma planta consiste em diversos troncos e novos caules crescem todos os anos desde a planta mãe. De uma forma geral, 20-25% dos troncos de uma floresta ou plantação podem ser abatidos anualmente de uma forma sustentada sem diminuir o tamanho da plantação ou o numero de troncos por hectar. A planta não more após o abatimento dos troncos, pelo contrário: através do abate dos troncos já maduros, a duração de vida e qualidade da plantação aumenta.

Isto significa que o bamboo é melhor gerido como uma cultura agricola, com um controlo anual do abate, sendo assim menos susceptível à desflorestação quando comparado com a madeira com os seus longos ciclos de rotação, e consequentes longos retornos de investimento. Assim sendo, um agricultor irá gerir a sua área de forma sustentável, assegurando um retorno annual e prevenindo a desflorestação. Pela mesma razão, uma floresta certificada que previna a desflorestação, é menos requerida para a industria de bamboo que a da madeira. Neste momento, a unica vantagem de introduzir o bamboo na certificação da cadeia de custódia, é que desta forma ajuda a salvaguardar os aspectos sociais na industria do bamboo. Assim como muitos projectos no Ocidente que requerem certificações para as madeiras, é igualmente requerido o mesmo para o bamboo (apesar de não ser uma madeira), e desde 2008 que o bamboo está incluído nos sistemad de certificação FSC®.

Pablo van der Lugt

Pablo van der Lugt, PhD MSc Eng, é um apaixonado pela defesa dos materials bio-baseados, tal como o bamboo industrializado e a madeira. Ele é autor de 5 livros sobre materiais de construção sustentáveis, incluindo o Booming Bamboo (2017), que descreve os ultimos desenvolvimentos no design e arquitectura utilizando o bamboo.